Descobrir pessoas e o modo como se relacionam entre si e com o meio ambiente, este é o principal propósito deste blog existir. E como não poderia ficar restrito à descoberta científica ou ao compartilhamento das redes sociais, coube ao jornalismo resgatar suas estruturas para tentar traduzir os códigos de cultura(s).

Olhar para o outro sob a perspectiva do próprio olhar não torna mais fácil o convívio entre as diferenças. Apenas serve de reafirmação para os próprios códigos culturais – elementos que dão sentido a íntima relação entre nós, quanto indivíduos, e o meio onde vivemos.

Mas se olhar para o outro não permite ponderar entre o que é certo ou errado, qual a função disso? E se o propósito não fosse decidir quem está certo ou errado, mas apenas conhecer as razões individuais e compreender os códigos que formam esta ou aquela atitude? Pode ser que isto não mude o mundo, nem impeça conflitos, mas pode torná-lo mais empático.

Eu só deveria cumprimentá-lo
se ele não fosse do circo?

Descobrir pessoas e como estabelecem suas relações é propor descobrir os códigos culturais e como eles determinam as relações humanas com o meio ambiente. O principal objetivo da humanidade é priorizar a vida, não há dúvidas quanto a este desejo ser comum à todos. Mas quem está certo? Quem prioriza a tecnologia, o veganismo, a construção de usinas nucleares, o desmatamento para o cultivo de alimentos, a troca do plástico pelo papel, a extinção dos zoológicos…? Mas até que ponto estas polaridades se sustentam como ambientalmente corretas? Qual o motivo de serem merecedoras de certificação ambiental e social em detrimento de outras?

O desenvolvimento sustentável proposto no Relatório de Brundtland, em 1987, pode exigir muito mais desta reflexão sobre a constituição das diferenças do que propriamente da neutralização delas. Porque o desenvolvimento é tão mutável quanto a cultura e as certezas que ela produz.