Descubra como é o trabalho do arqueólogo no Brasil e quais os métodos mais utilizados na pesquisa.

O interesse pelas histórias e coisas do passado sempre esteve presente entre as pessoas. Há alguns séculos este interesse vem sendo exercido de maneira especulativa, praticada principalmente por colecionadores de relíquias antigas e/ou exóticas. Com a presença do arqueólogo o estudo do passado começou a ser realizado com fins científicos, e a arqueologia ganha status de ciência social com o objetivo de estudo de populações do passado através da sua cultura material, como por exemplo: objetos, estruturas, e modificações na paisagem.

“Pode-se dizer que a história da arqueologia institucionalizada começa com o surgimento da figura do arqueólogo. Até o final do século XVIII, o estudioso da Antiguidade era o antiquário, que, a partir daí, é substituído pelo arqueólogo” (FUNARI, p. 23, 2013).

Como ciência social, a arqueologia se aproxima de uma série de disciplinas que a complementam como a história, a antropologia, a geografia, entre outras. Walter Taylor (1948) sugere que a arqueologia é uma disciplina autônoma que consiste em uma série de técnicas especializadas para a produção de informação cultural. 

Com o passar do tempo, percebeu-se que além do conhecimento técnico, os arqueólogos devem ter um conhecimento teórico que embase suas interpretações do passado. A ideia é pensar a cultura material produzida por um grupo como um produto derivado de um determinado comportamento humano.

A arqueologia é uma ciência que estuda os sistemas sociais, sua estrutura, funcionamento e transformações com o correr do tempo, a partir da cultura material arqueológica – aquilo que pode ser tocado, transformado e feito pelo homem” (FUNARI, 2013).

Segundo a Carta de Lausanne, documento que descreve a proteção e gestão do patrimônio arqueológico (1990) a cultura material arqueológica é definida como:

“Porção do patrimônio material para a qual os métodos da arqueologia fornecem os conhecimentos primários. Engloba todos os vestígios da existência humana e interessam todos os lugares onde há indícios de atividades humanas, não importando quais sejam elas; estruturas e vestígios abandonados de todo tipo, na superfície, no subsolo ou sob as águas, assim como o material a eles associados”. (CARTA DE LAUSANNE, Artigo 1º, 1990).

Sítios arqueológicos

A cultura material arqueológica tem ainda a característica de ser um recurso não renovável que pode ser encontrada isolada ou em grande quantidade. Quando encontrada em grande quantidade, dá-se o nome de sítio arqueológico. Um sítio arqueológico é um local onde um grupo humano viveu no passado e deixou algum tipo de vestígio de suas atividades.

  • Esses vestígios podem ser uma pedra lascada utilizada como ferramenta, um fragmento de cerâmica de um pote quebrado, uma fogueira utilizada para o preparo de algum alimento, um desenho em uma rocha, uma alteração na paisagem, entre outros.
  • Através do estudo desse sítio é possível inferir de qual grupo humano resultou esta cultura, e também qual foi à época que este grupo viveu.

Um sítio arqueológico pode ainda ser composto por diversas camadas arqueológicas. As diferentes camadas arqueológicas podem ser formadas em lugares ocupados por distintos grupos em épocas diferentes, como por exemplo:

Determinado grupo ocupou um lugar por alguns anos, quando este grupo foi embora os vestígios derivados de suas atividades foram cobertos por sedimentos, anos depois, outro grupo ocupou este mesmo local e por sua vez, ao ir embora teve seus vestígios também cobertos por sedimentos.

Assim, quando um grupo de arqueólogos escava um sítio, estas diferentes camadas de ocupação demonstram as diversas épocas que este local foi ocupado, sendo que as camadas mais profundas dizem respeito ao grupo mais antigo.

Métodos de pesquisa em arqueologia

Existem métodos que são utilizados para datar os vestígios que os arqueólogos coletam de um sítio arqueológico, são esses:

  • Método de datação relativa

O método de datação relativa estabelece através da comparação dos objetos uma sequência cronológica, sem, contudo, determinar a sua idade real.

  • Método de datação absoluta

O método de datação absoluta é aquele que propicia uma datação mais precisa do objeto estudado, os métodos de datação absoluta mais utilizados são: Carbono-14 e Termoluminescência.

O método Carbono-14 é realizado apenas em materiais orgânicos como, por exemplo: carvão, ossos, tecidos, madeira, fibras de plantas.

O método revela a idade de um material através de técnicas que determinam a taxa de decaimento de um isótopo radioativo. Esta radiação é adquirida pelas plantas através da fotossíntese, e quando esta planta morre cessa a aquisição de novos átomos de Carbono 14 e esta radiação é lentamente liberada.

Assim, quando um material orgânico é coletado em uma escavação, mede-se a radioatividade restante podendo dessa forma, conhecer a idade de sua morte. Este método só é possível ser realizado em vestígios resultantes de atividades humanas em até 50.000 anos.

O método de datação por Termoluminescência pode ser realizado em materiais minerais. Por exemplo, o barro utilizado na fabricação de uma cerâmica (após ser aquecido em uma fogueira) perde sua radioatividade de origem, começando aí a adquirir um novo acumulo radioativo derivado do calor produzido pelo fogo.

Quando o material é coletado em uma escavação, pela termoluminescência pode-se medir sua radioatividade através do ultimo evento térmico (aquecimento) do mineral.

Sítios pré-históricos e sítios históricos

Ao escavar e interpretar um sítio arqueológico, o arqueólogo é capaz de entender qual era a função daquele local e dos vestígios arqueológicos encontrados. Por exemplo, um sítio arqueológico pode identificar um local de habitação, de cerimoniais religiosos, de cemitério, de caça, de trânsito como os antigos caminhos, entre outras utilidades.

Existem ainda diferentes tipos de sítios arqueológicos de acordo com a cronologia e ao contexto em que se encontram. No Brasil há a diferença entre sítios:

Sítios pré-históricos correspondem à aqueles que foram construídos e utilizados por grupos humanos que não tiveram o contato com o colonizador. Por sua vez, os sítios históricos são aqueles construídos e utilizados por grupos humanos que tiveram este contato, ou mesmo foram construídos e utilizados pelo próprio colonizador.

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