A história do Brasil contada em quilômetros de trilhos.

Imigrantes trabalhadores da Ferrovia de Santos. O primeiro da fila, meu avô paterno,
Bolis Piragis.
Fonte: Arquivo pessoal.

Todos têm uma história para contar sobre a história da própria família. De onde vieram, como se estabeleceram. A história da minha família esta intimamente relacionada com a chegada dos imigrantes e com o Patrimônio Ferroviário Brasileiro. Desde sempre a estrada de ferro está presente nas histórias dos meus pais e dos pais dos meus pais, seja como protagonista ou apenas como um cenário. E são experiências como as minhas que dão sentido a importância de preservar o Patrimônio Ferroviário Brasileiro composto por bens móveis e imóveis que pertenciam a extinta Rede Ferroviária Federal – RFFS.A..

De acordo com a Lei n.º 11.483, de maio de 2007, são patrimônios culturais ferroviário bens como trilhos, materiais rodantes, peças, partes e componentes, almoxarifados e sucatas, documentos, fotografias, bilhetes, mobiliário e tudo o que tenha valor cultural, artístico e contribua para conhecer e compreender a história. Por exemplo, minha vó guarda algumas fotos da minha mãe e tios em estações por onde moraram. Meu avô era Chefe de Estação então, o trem passava no quintal de casa.

Meus pais se conheceram na Estação da Luz, em São Paulo, no edifício que hoje abriga o Museu da Língua Portuguesa. Fundamental para a história da imigração no Brasil, entre os que desembarcaram em Santos e seguiram para a capital. Passar por corredores com obras tão expressivas para meu país e cultura, não foi mais importante do que olhar para a janela que minha mãe olhava com a minha idade e tentar imaginar o que ela pensava ou olhar através dela. A Estação da Luz é um patrimônio imóvel, tombado como Patrimônio Cultural Material. Outras estações também são tombadas como Patrimônio Cultural Material, mas não é assim para tudo.

Ferrovia Paranaguá-Curitiba, novembro de 2000.
Por: Giselle Piragis Zogaib

A diferença com relação aos bens que integram a Lista do Patrimônio Cultural Ferroviário é que estes são considerados valorados, pois detêm valor inestimável. Só podem em tombados os bens que permitem que seu entorno também seja preservado. Em ferrovia isto seria mais complicado porque como poderíamos preservar quilômetros de estrada sem restringir o uso? Preservar não é sinônimo de intocável. Mas algumas restrições são necessárias para que não sejam perdidas as características. Preservar está relacionado a investir em ações que ajudem a contextualizar o bem tombado. Os bens valorados são periodicamente reavaliados para que seja verificado se mantêm as características que os tornam significativos para a cultura.

O Iphan é o órgão responsável por receber e administrar os bens relativos ao Patrimônio Cultural Ferroviário assim como é responsável pela guarda e manutenção. Mas o trabalho é de fiscalização porque os bens são de responsabilidade também os governos locais onde estão assim como da iniciativa privada e de toda população. A guarda e manutenção é relativa a verificar se os bens estão sendo corretamente identificados, catalogados, estudados e disponibilizados para que todos tenham acesso ao conhecimento que representam com iniciativas como atividades de Educação Patrimonial, pesquisa de iniciação científica, acervo de museus. Alguns bons exemplos, além da própria Estação da Luz, em São Paulo, é Curitiba, com o Museu Ferroviário, organizado e mantido pela brMalls dentro do Shopping Estação. E na Lapa-PR, o Centro de Memória Ferroviária organizado pela prefeitura.

Você conhece mais algum bom exemplo? Conte nos comentários!

Assista a aula sobre Patrimônio Cultural Ferroviário no curso Introdução ao Patrimônio Cultural e Natural.


Conhecer e valorizar o patrimônio cultural ferroviário é preservar a própria identidade.
Aula do curso Introdução ao Patrimônio Cultural e Natural.