No Dia Mundial do Meio Ambiente, o exemplo de preservação do Jardim Botânico de Curitiba tem a maior área conservada em centro urbano do país.

O ponto turístico mais visitado de Curitiba tem canteiros de flores geométricos, um Palácio de Cristal com 478 metros quadrados, um bosque de mata nativa, fontes assinadas por artistas e lagos. Parece algum lugar da Europa, em especial dos jardins de um castelo francês. A inspiração veio de lá do outro continente, mas a beleza natural é nossa – com alguns exemplares de outras regiões do mundo (exóticas) para deixar ainda mais especial. E para conhecer tudo isto existem algumas opções.

A mais rápida é ir ao Jardim Botânico com a memória do seu celular vazia para caber muitas fotos e vídeos que certamente você fará. Você encontrará placas informativas, algumas recentemente atualizadas, e poderá pegar no atendimento ao turista – logo na entrada – um folder com um mapa. Leia as placas! Assim como não deixe de seguir as trilhas e visitar o bosque.

Se você preferir, pode participar das ações para a comunidade que acontecem uma vez por mês, aos sábados. Para saber quando será a próxima é só visitar o site da prefeitura, lá tem mais informações ou entre em contato pelos canais indicados no final do texto. O sábado de realização não é pré-definido com muita antecedência porque quem realiza as atividades são especialistas voluntários. Recentemente houve um curso sobre orquídeas. São quarenta vagas e com inscrições por ordem de chegada.

Foto: Divulgação.
Crianças com capa de chuva observam explicação da orientadora em atividade no Jardim das Sensações. Professora acompanha a turma.
Foto: Divulgação
A menos que Noé com sua arca esteja passado para recolher a fauna local, fazem o atendimento mesmo com chuva.

Outra alternativa é o agendamento de grupos. São três ações programadas: Jardim das Sensações, o Ecossistema das Florestas com Araucárias e as Coleções Botânicas, com atividades ao ar livre e no Espaço de Educação Ambiental. E nem mesmo o clima temperamental de Curitiba consegue atrapalhar.

E quem diz que um local com bosques e plantas não é apropriado para pessoas com necessidades especiais tem mesmo que conhecer as ações educativas realizadas no Botânico, como comprovam a Fundação de Ação Social de Curitiba – FAS e Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE. Pensadas individualmente para cada grupo que agenda uma visita, as atividades conseguem apresentar toda a biodiversidade em exposição e ainda compartilhar valores e a história contribuindo para a formação de uma cultura de preservação do meio ambiente.

Tânia Gonçalves, chefe do setor educativo, explica o atendimento à portadores de necessidades especiais.
Leia a transcrição se preferir. (em breve)
Foto: GiPiragisZogaib
Espaço de Educação Ambiental totalmente reformulado para vivenciar o meio ambiente.

Quando a chefe do setor educativo, Tânia Gonçalves, assumiu o cargo há pouco mais de um ano, reorganizou os espaços para que as atividades priorizassem a qualidade de vida integrada ao meio ambiente. Visão que respeita integralmente a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei nº 9795 de 1999 ). O Espaço de Educação Ambiental foi o primeiro a ser reestruturado. As atividades estimulam o sentido de pertencimento e o olhar da criança (ou adulto) brasileiros ou estrangeiros.

O espaço conta ainda conta com jogos interativos, resultado de uma parceria com o curso de Gestão da Informação da UFPR. Os alunos fazem a manutenção das mesas e propõem os jogos digitais que são usados nas atividades e o setor educativo dá o feedback. Em julho, a parceria ficará ainda mais forte porque a Tânia irá propor um jogo junto com sua equipe.

Foto: Divulgação.
Crianças desbravam os sentidos no
Jardim das Sensações.

Mas não pára por aí! Outro xodó da Tânia e sua equipe é o Jardim das Sensações. Uma ação educativa repetida entre Jardins Botânicos do mundo todo. Com uma média de vinte a trinta mil visitantes por mês, registrada em 2019, o diferencial em Curitiba está no atendimento da auxiliar administrativa, Idalete Dutra, da Tânia Gonçalves e estagiários de biologia da Educação Ambiental.

Entre floreiras Idalete Dutra apresenta a flor que lembra um peixinho.

São 25 floreiras distribuídas ao longo de uma trilha que junto das árvores, arbustos, fontes e colmeias (de espécies de abelhas sem ferrão) realizam a função de aguçar os sentidos. São texturas, formas, cores, aromas e elementos auditivos que de olhos vendados ou bem esbugalhados pela curiosidade estimulam o visitante a perceber o meio. Acessibilidade e empatia são conceitos amplamente trabalhados. Em todo trajeto existem orientação em braile e o piso é ideal para cadeiras de rodas. Mas jovens e adultos aprendem juntos porque durante a visita dos grupos agendados o público do Botânico também pode acompanhar as explicações da Idalete, no entanto, no final, quem testa o conhecimento são os jovens:

Tânia Gonçalves, chefe do departamento educativo, conta como as crianças aplicam rapidamente o que aprendem.
Leia a transcrição se preferir. (em breve)

Em 2018, a partir de maio, quando Tânia Gonçalves deu início aos trabalhos, cerca de cinco mil crianças de escolas públicas e particulares foram atendidas pelas ações educativas. Dados registrados pelos agendamentos com escolas, universidades e outras instituições, através de contato por telefone ou após divulgação do Botânico junto aos Núcleos de Educação.

Além das escolas, três mil turistas participaram de uma atividade especial em dezembro, no Espaço de Educação Ambiental reorganizado integralmente para a atividade de férias. Oitenta porcento de fora de Curitiba, sendo que cerca de trinta porcento vieram de outros países. A ação especial provavelmente terá novas edições. Mas a Tânia e seus estagiários estão sempre inovando com o apoio de toda equipe do Botânico. Criatividade que vem do prazer pelo trabalho que realiza. Neste ano, novos projetos irão contar com a participação ativa do público. Aguarde!

Se existe alguma frustração no trabalho que realizam é justamente a dificuldade de as pessoas compreenderem o sentido de existir um Jardim Botânico. Ações simples como ler uma placa explicativa sobre o local, não alimentar o animais ou abandonar outros bichinhos como tartarugas e galinhas de angola, jogar lixo fora da lixeira, subir em arvores em busca da self perfeita, são ignoradas por muitos visitantes.

Isso demostra que a ação educativa é um trabalho contínuo e que alcança diferentes esferas da vida em sociedade. Compreender o valor deste patrimônio é perceber-se parte dele, suas características e como ele constitui a identidade de Curitiba e seus moradores. Não basta expor, é necessário mostrar o porquê faz sentido.

Continue lendo em: Museu Botânico Municipal é a memória da biodiversidade.

Idalete Dutra, Auxiliar Administrativo responsável pelo Jardim das Sensações do Jardim Botânico de Curitiba, fala sobre a falta os pequenos detalhes que indicam o desinteresse das pessoas na preservação do meio ambiente.
Assista a entrevista completa (em breve)

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SERVIÇO EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Agendamentos por telefone: 156.
Email: eajardimbotanico@smma.curitiba.pr.gov.br


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