No dia Mundial do Meio Ambiente uma visita ao Jardim Botânico de Curitiba revela a importância da preservação ambiental para a qualidade de vida.

Foto: GiPiragisZogaib
Jardim Botânico de Curitiba, a área verde melhor conservada em centro urbano do país, não é um parque, mas um lugar de pesquisa e educação ambiental.

Fiz várias tentativas de gravar no Jardim Botânico de Curitiba uma reportagem sobre o ponto turístico mais visitado da cidade, seja pela beleza ou para a prática de atividades físicas. Aproximadamente são 80 mil visitantes por mês e um dos locais do Brasil mais reconhecidos no mundo. Eu queria mostrar a interação do patrimônio natural com o patrimônio cultural e contar também um pouco da história das pessoas que trabalham lá. Logo no primeiro contato por telefone, em novembro de 2018, e nas primeiras frases que pronunciei, ouvi: “Primeiro, não é um parque, é um jardim!”, adivertiu a Chefe do Jardim Botânico, Sônia de Oliveira. Fiquei constrangida, não por ela ter dito, mas por ter merecido ouvir.

Não é incomum encontrar pessoas que, como eu, por hábito usam o termo parque para todas as áreas verdes urbanas onde há possibilidade de interagir com a natureza. Fico até imaginando alguns conhecidos me dizendo “Ai, como você não sabia a diferença?” A questão não está apenas em compreender a diferença, mas na forma como nos colocamos, por hábito, em uma zona de conforto no que diz respeito ao meio ambiente. É obvio que é um jardim e não um parque! Está no nome. Se não, seria Parque Jardim Botânico e não Jardim Botânico.

Não se trata também de desatenção com a terminologia, mas, em alguns casos, desconhecimento. E não julgue quem desconhece porque infelizmente não são todos que têm acesso à informação ou possuem uma cultura ambiental e científica. Se fosse assim, não estaríamos vivendo uma crise neste setor. Então, se você é dos que me criticariam pela forma inadequada como me expressei, antes de julgar o motivo das pessoas não distinguirem corretamente na fala, procure entender o que esta dificuldade significa. Vai perceber que na verdade não é descaso, deboche, desinteresse, ignorância, mas um problema cultural que está diretamente relacionado a Educação Ambiental e que, em algum momento, você também pode demonstrar ter.

Foto: GiPiragisZogaib
A interação social com o Patrimônios Cultural e Natural.

Por este motivo, justo hoje, no dia dedicado ao Meio Ambiente, trago a experiência do Jardim Botânico de Curitiba – Jardim Botânico Francisca Maria Garfunkel Richibieter, uma homenagem a notória urbanista da cidade. Este espaço dedicado a pesquisa e ao conhecimento é um belo exemplar da interação do homem com a natureza. Um Patrimônio Cultural Material e Natural Paisagístico, independente de ser ou não reconhecido por processos de tombamento ou chancela pelos órgãos responsáveis. E não é! Isto porque este seria apenas um reconhecimento técnico que colaboraria com as ações de divulgação, mas não necessariamente seria eficiente à Educação Patrimonial e Ambiental.

Foto: Divulgação
Ação Educativa com atividades que estimulam os sentidos.

Este trabalho de significação o Jardim Botânico de Curitiba realiza com muita maestria. Fiquei impressionada especialmente por tratar a inclusão de modo integrado e não como uma ação isolada – pois não seria de fato inclusão. As ações educativas são para todos, independente do perfil, sem a necessidade de sair da rotina do que é proposto. Isto é resultado do projeto desenvolvido e coordenado pela chefe do setor educativo, Tânia Gonçalves. Ela que trouxe para o Botânico a prática com a indissociável dupla qualidade de vida e meio ambiente. Uma proposta que está integralmente relacionada com a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei nº 9795 de 1999), mas, mais do que isto, tem a sensibilidade que proporciona a percepção do meio como extensão de si mesmo. Lei nenhuma consegue expressar este modo de fazer, apenas orientam.

Foto: GiPiragisZogaib
Visitar o Jardim Botânico é pousar em equilíbrio com a natureza.

Tive a oportunidade de conversar com quatro funcionários do Botânico, todos sabem muito bem o que estão fazendo lá. Não me surpreenderia se os demais 22 também saibam! Porque todos assimilaram que somos parte do ambiente e não algo a parte. Isto que muitos diriam ser um modo de vida é naturalmente transferido para a realização de suas atividades profissionais. Eles não são “bicho grilo”, não vivem em cabanas no mato, nem abdicaram da vida social e de consumo. São pessoas que você poderia encontrar no shopping, na fila do banco ou no engarrafamento. Mas o modo como ocupam o espaço no meio ambiente os permitem fazer escolhas mais conscientes.

Não caia na tentação do politicamente correto e pense que por fazerem “escolhas conscientes” nunca fazem escolhas inadequadas ou, vez ou outra, usam uma expressão errada. Mas eles construíram ao longo da vida um hábito, portanto, têm atitudes espontâneas sobre o quê, como, onde e para quê consumir, seja por decidir usar uma sacola plástica ou trocar o carro pela bicicleta. Este é o modo de fazer que torna as ações educativas eficientes por conseguirem transmitir ao longo de bons exemplos – não ao longo de anos.