Myanmar
fonte: Pxhere (banco de imagens)

São muitas as possibilidades para definir cultura, afinal, este termo é aplicado das mais diferentes formas. Mas quanto ao conceito, prefiro interpretar de um modo mais estruturado, com base nos estudos da Semiótica da Cultura. Para mim faz mais sentido, especialmente quando observo, por exemplo, a opinião das pessoas sobre qual a melhor forma de proteger o meio ambiente.

Quando uma sociedade se posiciona sobre o modo que prefere interagir com o meio ambiente, esta decisão está estruturada em uma série de elementos que muitas vezes não são considerados em uma primeira avaliação critica. Mas que muitas vezes são tão avassaladores no observador quanto o meteoro que dizimou os dinossauros, que não eram capazes de compreender o que os atingiu.

A cultura tem este poder. Populações inteiras, como conta a história mundial, já foram dizimadas desta forma. É controlando a cultura que se domina um povo, seja para a sua destruição ou para seu fortalecimento.

Com esta breve explicação, talvez fique mais claro porque este blog propõe trabalhar com estes dois temas – cultura e meio ambiente. Não será a cultura de massa, nem a cultura dos meios digitais da 4ª Revolução Industrial. Mas aquilo que constitui a essência dos valores, da linguagem, das formas de expressão e da fé.

Para ajudar a compreender como isto funciona, organizei minha interpretação sobre as definições apresentadas pelos semioticistas da cultura em cinco pontos. Vamos a eles:

1. Cultura é o que faz sentido. Repare que tudo o que lhe causa estranhamento parece não ser cultura. E para você, realmente não é. Para alguns povos, comer insetos é uma iguaria. Não sei quanto a você, mas não me atrai.

2. Cultura é memória coletiva. Não é individual ou exclusiva. Só é cultura se for informação. E informação produzida em grupo. Como um ritual indígena que antecede um período de plantio para que haja fartura na colheita. Ou ainda o Carnaval. Pode até ser que um ou outro brasileiro não goste, mas a memória é coletiva. Seria necessário que não fizesse sentido para a maioria dos brasileiros.

3. Cultura não é hereditária. Somo acostumados a pensar que já nascemos carregando toda a história dos nossos ancestrais. Mas não é bem assim. Cultura não é uma herança passada de pai para filho no DNA. Ela precisa ser ensinada, aprendida, conservada. Por isto temos bibliotecas que guardam memórias e conhecimentos científicos e preservamos paisagens naturais ou patrimônios arquitetônicos.

4. Cultura não é estática. Ela muda com o tempo. Esta constantemente se atualizando para corresponder a uma sociedade. Se não fosse assim, de nada serviria a evolução tecnológica e continuaríamos moendo o trigo com pilões. Toda vez que assimilamos uma nova informação ela oferece novas interpretações e novos sentidos. Não apagamos a cultura e escrevemos outra, apenas acrescentamos novas informações. Algumas coisas podem deixar de fazer sentido e realmente serem esquecidas, mas não apagadas.

É comum pensarmos que a Quinta Sinfonia de Bethoven, o quadro da Monalisa, um prédio histórico – como o Museu Nacional do Rio de Janeiro -, as pirâmides do Egito são cultura. Mas estas e tantas outras obras não são a cultura. O que acessamos nestes casos são as memórias. Informações de um tempo passado para um tempo futuro e que só foram preservadas na memória coletiva porque continuam a fazer sentido.

5. Cultura é estrutura social. É ela quem determina o modo de ser e pensar de um grupo social. É a partir dela que definimos normas sociais e também é por ela que revisamos estas mesmas normas (por isto não é estática).

Só seria possível estar livre da influencia de uma cultura se não nuca houver contato com ela, de nenhum tipo, nem mesmo a distância. Caso contrário, podemos ficar tentados a pensar se faz sentido. Se fizer algum, mesmo que parcialmente, você pode estar iniciando uma transformação cultural.